terça-feira, 30 de julho de 2019

Copa Governador: um fiasco da Federação Bahiana de Futebol

A Copa Governador foi oficialmente cancelada pela Federação Bahiana de Futebol por um motivo simples: a falta de clubes da Série A inscritos na competição. Para um campeonato dar vaga em competições nacionais ele precisa ter ao menos quatro clubes da Série A estadual do ano corrente. A FBF decidiu, no final do ano passado, que a Copa Governador valeria apenas uma vaga na Série D do Campeonato Brasileiro, ou seja, sem nenhuma vaga na Copa do Brasil. Mas quais as consequências disso?

Vamos lá, foram 10 clubes que disputaram este ano a Série A do Campeonato Baiano, destes Bahia e Vitória já estão nas séries A e B nacional e mesmo seus times sub-23 estão ocupados disputando o Campeonato Brasileiro de Aspirantes e seus times sub-20 no Campeonato Brasileiro Sub-20. Ou seja, não haveria sequer como participarem. O Atlético de Alagoinhas e o Bahia de Feira já tem vaga garantida na Série D de 2020 e como a competição não vale vaga na Copa do Brasil eles não tinham nenhum motivo para se inscrever para disputar uma Copa Governador que dá como prêmio algo que eles já tem. O Jacuipense conquistou há duas semanas o acesso à Série C nacional, ou seja, outro clube que não teria o menor interesse em disputar uma competição.

Resumo: dos 10 clubes da Série A estadual deste ano, cinco não tinham nenhuma motivação em disputar a Copa Governador. Levando em conta que, nunca na história da Taça Estado da Bahia e da Copa Governador um time rebaixado jogou no segundo semestre, era óbvio que o Jequié, rebaixado este ano, não se inscreveria para jogar a Copa Governador. Dito e feito, não se inscreveu, restavam assim apenas quatro times de Série A para jogar, eis aí que surge uma armadilha criada pela própria FBF: se a competição não ocorresse a terceira vaga baiana na Série D iria para o 4° colocado do estadual, o Vitória da Conquista. Ou seja, bastava o próprio Vitória da Conquista não se inscrever na Copa Governador que ela não seria disputada e ele ganharia a última vaga na Série D. Pense bem, por qual motivo o time conquistense se inscreveria para disputar a Copa Governador viabilizando uma competição que poderia lhe tirar uma vaga até então garantida? Dito e feito, o Vitória da Conquista não se inscreveu deixando apenas três times da Série A estadual na competição (Fluminense, Juazeirense e Jacobina), portanto mesmo que estes três se inscrevessem a Copa Governador não poderia dar vaga na Série D, para piorar nem mesmo o Jacobina se inscreveu.

Em síntese: a FBF fez uma enorme barbeiragem em não disponibilizar uma vaga na Copa do Brasil via Copa Governador fazendo com que times como Vitória da Conquista e Jacuipense perdessem qualquer interesse em disputá-la. A nova administração da FBF, que não passa de uma repetição da antiga, cometeu mais uma gafe proporcionando mais uma vergonha para o futebol baiano.



domingo, 16 de junho de 2019

Nancy e Sochaux rebaixados por falta de garantias financeiras

Começou o strike de rebaixamentos por problemas financeiros na Europa. Nesta semana o DNCG (Direção Nacional de Controle de Gestão) da França decidiu rebaixar Nancy e Sochaux para National 1 (3ª Divisão) por falta de garantias financeiras, ambos os clubes passaram toda a temporada correndo risco de rebaixamento, mas escaparam. Tanto Nancy quanto Sochaux pretendem apelar. Já na National 2 (4ª Divisão) o Martigues, clube com passagem pela elite na década de 1990, foi rebaixado por problemas financeiros enquanto o Mulhouse, clube com vasta passagem pela 2ª divisão, que havia obtido o acesso à National 2 teve sua ascensão cancelada. Todos pretendem recorrer.

O primeiro país a começar o strike foi a Rússia com o rebaixamento administrativo do Anzhi Makhachkala, que no campo caiu da 1ª para a 2ª divisão, mas que acabou indo parar na 3ª. Além dele o Sakhalin subiu no campo, mas como não obteve a licença para jogar a 2ª divisão permanecerá no distante grupo leste da 3ª divisão russa. A expectativa agora é ver o tamanho do problema na Itália, em especial na Série C, caracterizada por inúmeras falências ano a ano.


segunda-feira, 3 de junho de 2019

A maior virada de todos os tempos?

A partir desta temporada na Suíça, determinou-se que o penúltimo colocado da 1ª divisão deveria disputar um playoff com o vice-campeão da 2ª divisão. Anteriormente ambos permaneciam em suas divisões, portanto é uma novidade inclusiva e não exclusiva como ocorre na Alemanha e na França onde equipes que seriam rebaixadas ganharam uma nova chance e times que seriam promovidos perderam a garantia do acesso.

No primeiro ano o Neuchâtel Xamax, vice-lanterna da 1ª divisão, a frente apenas do tradicional e rebaixado Grasshopper, enfrentou o vice-campeão da 2ª divisão, o Aarau, que ficou atrás do campeão e promovido Servette. No primeiro jogo tudo parecia decidido, o Nechâtel Xamax perdeu em casa por 4 a 0. No jogo de volta em Aarau, aparentemente protocolar, nasceu talvez a maior virada da história do futebol (levando em conta o peso do mando de campo já que outras viradas semelhantes já ocorreram, mas sempre com o time mandante obtendo a reviravolta). O Neuchâtel Xamax abriu incríveis 3 a 0 ainda no primeiro tempo, gols de Serey Dié (disputou a Copa do Mundo de 2014 pela Costa do Marfim), Mrcis Oss e Kemal Ademi, no segundo tempo Geoffrey Tréand fez o inacreditável 4 a 0. Na prorrogação nada de gols, na disputa de pênaltis coube a Serey Dié garantir o último pênalti e a manutenção do Neuchâtel Xamax. O vídeo abaixo demonstra o tamanho da grandeza do feito.

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Ascenxo MX: todos clubes poderão subir à Liga MX


Ontem, dia 28 de maio, ocorreu o congresso de donos de franquias do Ascenxo MX, a segunda divisão mexicana, várias novidades: a primeira é que a vitória como visitante passará a valer quatro pontos, a segunda é a mudança do Cafetaleros de Tapachula para Tuxtla Gutierrez, o time passará a se chamas Cafetaleros de Chiapas. A cidade estava ausente das duas primeras divisões desde a falência do Jaguares de Chiapas, um novo clube foi formado na terceira divisão, o Tuxtla FC, mas não conquistou o acesso. A terceira novidade é a presença de times que eram dados como ausentes: Celaya e Alebrijes de Oaxaca, este último chegou a ser dado como vendido para Irapuato. A quarta novidade é que o campeão da terceira divisão, o Loros de Colima, foi certificado e poderá jogar o Ascenso MX. A quinta é algo que já se imaginava, mesmo rebaixado o Tampico Madero continuará no Ascenxo MX já que, como o Veracruz fez na Liga MX, pagou uma multa e garantiu seu lugar. Por fim, a maior notícia do dia: todos os clubes do Ascenso MX estarão certificados para disputar a Liga MX em caso de acesso, não haverá barreiras ou maiores exigências.

O único derrotado acabou sendo o Irapuato, que terá que se contentar em jogar novamente a Liga Premiere (terceira divisão), na última temporada fez uma campanha espetacular ganhando quase todos os jogos que disputou, mas nos playoffs foi eliminado pelo Cruz Azul Hidalgo, equipe que havia marcado 20 pontos a menos, mas que derrotou o Irapuato no famigerado critério de gols fora de casa (0x0 na ida e 1x1 na volta). Assim uma campanha impecável se perdeu e o acesso não veio nem em campo, nem fora dele. Outro clube que esperava entrar no Ascenso MX através da compra de uma franquia era o Alacranes de Durano (disputou a segunda divisão há poucos anos), mas não existiu equipe a venda disponível.

sexta-feira, 24 de maio de 2019

O ano em que o time B do Hertha Berlin jogou a final da Copa da Alemanha

O Hertha Berlin viveu um momento especial na temporada 1992-1993, mas não pela 5ª colocação na segunda divisão da Bundesliga e sim pelo que o seu time "amador" (como são chamados os times B na Alemanha) fez: chegar à final da Copa da Alemanha.

Naquela época, diferente de hoje, era permitido aos times B disputarem a Copa da Alemanha, as vagas eram distribuídas para os times da Bundesliga (primeira e segunda divisão) e aos melhores colocados das copas regionais, para maiores detalhes clique neste link. Na Copa Berlin, restrita aos times berlinenses que disputavam da 3ª a 4ª divisão na época, o time B do Hertha Berlin conquistou o título e obteve o acesso á Copa da Alemanha do ano seguinte. Não foi o único, Werder Bremen, Bayer Leverkusen e Fortuna Düsseldorf também levaram seus times B à competição.

Na primeira fase o Hertha B derrotou em casa o Heidelberg enquanto o time principal fez 4 a 2 fora de casa no Freiburg. Na segunda fase o Hertha B derrotou em casa o VfB Leipzig por 4 a 2, um desempenho melhor que o time principal que, quando enfrentou o VfB Leipzig (que veio a ser promovido à primeira divisão), venceu uma e perdeu a outra na disputa da segunda divisão da Bundesliga. Já o time principal passou apertado pelo Meppen: 4 a 2 fora de casa após prorrogação.

Nas oitavas-de-final o Hertha B já era uma sensação, e seguiu sendo, bateu por 4 a 3 o Hannover, outro time da segunda divisão. Já o time principal despediu-se com uma derrota por 1 a 0 para o Bayer Leverkusen. Nas quartas-de-final vitória em casa por 2 a 1, contra o Nürenberg, equipe da elite alemã. Na semifinal o sonho se realizou, vitória em casa novamente por 2 a 1 contra o tradicional Chemnitzer.

A final foi disputada em 12 de junho de 1993, confronto contra o Bayer Leverkusen no Olympiastadion, em sua própria cidade diante de 76.391 espectadores. O Bayer do capitão Franco Foda, com um gol de Ulf Kirsten aos 77 minutos de jogo, obteve a vitória e o título pelo mesmo placar que havia eliminado o time principal do Hertha.

O interessante é que o time principal nunca conquistou o título da Copa da Alemanha, chegou em duas finais e perdeu ambas (1977 e 1979). Hoje é o dia da final da Copa da Alemanha 2018-2019 entre Bayern e RB Leipzig, que sequer existia na época, novas histórias serão escritas, mas é sempre bom relembrar uma antiga como essa.



quarta-feira, 15 de maio de 2019

Como são definidos os participantes da Copa da Alemanha?

A Copa da Alemanha é disputada anualmente por 64 clubes, mas afinal como é definido quem disputa a competição num país com milhares de clubes e inúmeras divisões?

Primeiro é importante destacar que todos os participantes são definidos no ano anterior, portanto não há fases preliminares, inclusive a Copa da Alemanha tem início no fim-de-semana anterior ao começo da Bundesliga, ou seja, logo no início da temporada. O segundo passo é ter em mente que estão garantidos, baseados na temporada anterior, os 18 clubes que disputaram a 1. Bundesliga, os 18 clubes que disputaram a 2. Bundesliga e os quatro primeiros da 3. Liga, totalizando 40 clubes classificados. Restam portanto 24 vagas, elas são distribuídas através de copas regionais/estaduais. São 21 copas no total, cada um dos 16 estados alemães tem uma copa e alguns, maiores e mais populosos, tem mais de uma copa. Por exemplo, Badern-Württemberg, é o terceiro maior estado alemão tanto em população quanto tem área, lá são disputadas três copas: Copa Baden, Copa Südbaden e Copa Württemberg. Desta forma chegamos ao número de 21 copas regionais, o campeão de cada uma delas consegue a classificação para a Copa da Alemanha, restam três vagas, estas vagas são distribuídas os três estados de maior ranking nacional, são eles Bavária, Niedersachsen (Baixa Saxônia em português) e Westfália.

Vamos agora as peculiaridades: originalmente esses três estados de melhor ranking classificavam os vice-campeões de suas copas, entretanto com o passar do tempo criaram-se métodos diferentes para a definição dessa segunda vaga. Por exemplo, a Bavária definiu que a segunda vaga deixaria de ser do vice-campeão da Copa da Bavária para ir para o campeão do grupo da Bavária na Regionalliga (4ª divisão alemã). Já a Westfália decidiu que a segunda vaga viria de um playoff entre o melhor time da Westfália na Regionalliga (4ª divisão) e o melhor time da Westfália na Oberlina (5ª divisão). Por fim, a partir da temporada 2018-2019, Niedersachsen decidiu dividir a sua copa estadual em duas: uma para os clubes que disputam a terceira e quarta divisões e outra para os clubes que disputam a quinta divisão e os vencedores de copas distritais. Assim criou-se uma copa profissional e uma copa amadora, cada uma dando uma vaga na Copa da Alemanha.

Outra dúvida comum: quais clubes disputam essas copas regionais/estaduais? Depende da região e do estado, é unânime que clubes da terceira, quarta e quinta divisões disputem as copas e que os clubes da 1. Bundesliga e 2. Bundesliga não participem, assim como seus times B. De resto cada federação regional determina como quiser, existem copas com clubes da sexta e sétima divisões e outras não. Existem copas em que os campeões de copas distritais (com clubes das últimas divisões) disputam a copa estadual, outros não. Há uma autonomia quanto a isso.

Então surge a dúvida: o que acontece se um time da 3. Liga vence uma copa estadual e termina entre os quatro primeiros da própria 3. Liga? Neste caso teria conquistado duas vezes a vaga. Isso é completamente comum e ocorre todo ano e a resposta é simples? A vaga via copa vai para o vice-campeão. Por exemplo, na temporada 2018-2019 a Copa Hessen terá a final entre Baunatal e Wehen Wiesbaden, como o Wehen foi 3° colocado da 3. Liga ele já conquistou sua vaga na Copa da Alemanha, portanto o Baunatal sendo campeão ou vice já está dentro. O mesmo ocorreu na Copa da Saxônia-Anhalt, como o Hallescher foi 4º colocado da 3. Liga ele já está na Copa da Alemanha, portanto o finalista da copa, o Germania Halberstadt já está garantido na Copa da Alemanha, seja campeão ou vice.

Pode parecer complicado, mas é que aqui eu detalhei todos os asteriscos possíveis, mas de forma resumida é fácil de entender, disputam a Copa da Alemanha: todos os times das duas primeiras divisões, os quatro primeiros da terceira divisão, os 21 campeões de copas estaduais mais três vagas dadas aos três estados de maior ranking, cada um com seu critério próprio.

Para encerrar é interessante destacar que todas as 21 copas tem suas finais disputadas no mesmo dia, que é o mesmo dia da final da Copa da Alemanha. Portanto o próximo dia 25 de maio será uma grande festa do futebol alemão tanto amador quanto profissional, pela manhã e início da tarde com as finais das copas regionais e culminando com a final da Copa da Alemanha no fim da tarde.


sexta-feira, 10 de maio de 2019

A estranha primeira edição do Campeonato Italiano


A data é 8 de maio de 1898, foi neste dia que realizou-se a primeira edição do Campeonato Italiano, isso mesmo, todo o campeonato foi disputado em um único dia. O palco foi o Velódromo Umberto I, inaugurado três anos antes e fechado em 1917, na cidade de Torino. Apenas quatro clubes participaram da competição denominada "Campionato Nazionale di Football 1898", entraram em campo Internazionale de Torino, FC Torinese, Ginnastica Torino e o tradicional Genoa, o único dos quatro que ainda se mantém em atividade.

O formato era simples: semifinal e final, tudo no mesmo dia. Às 9h da manhã entraram em campo Internazionale Torino e Torinese, com vitória da Inter por 2 a 1, às 11h o Genoa venceu a Ginnastica Torino por 2 a 0, ambos jogos tiveram apenas 50 espectadores em torno do campo. Finalmente às 15h foi realizada a final, Internazionale Torino e Genoa empataram em 1 a 1, e acredite, tivemos prorrogação, onde o Genoa saiu-se melhor e venceu com gol de Norman Victor Leaver no segundo tempo da prorrogação (foram dois tempos de 10 minutos), tudo isso diante de apenas 100 espectadores. As três partidas foram apitadas pelo mesmo árbitro: Adolf Jourdan.

O Genoa disputou as partidas com seis italianos, três ingleses, um suíço e um atleta de Guernsley. Interessante observar que durante a final o Genoa substituiu seu goleiro trocando um inglês William Baird, por outro, James Spensley.

Portanto tivemos o primeiro campeonato italiano sendo disputado em um único dia, com quatro clubes, dois jogos no mesmo dia para os finalistas com direito a prorrogação, público de velório e um mesmo árbitro apitando todos os jogos. É comum vermos críticas a conquista do Santos da Taça Brasil de 1963 pelo fato do time só ter disputado quatro jogos na competição (dois contra o Grêmio e dois contra o Bahia) e ser considerado campeão brasileiro. Já na Itália, apesar de não estar no mesmo patamar da atual Série A, este título do Genoa possui o seu valor, afinal era o que era possível realizar na época.